domingo, 29 de maio de 2011

Um novo título

Rebeca, Giovana, Dani, Juliana, Sônia, Priscila, Drica, Sheilla... E, entre tantas outras, eu! Dizem que o mês de maio é o mês das noivas, de Maria, mês das mães... É também o mês do aniversário de tantas mulheres sensacionais que eu conheço.

Meio literal: uma interrogação entre confetes e um sorriso perdido. Eu fiz um pedido, mas não consegui apagar a vela de primeira.

Eu não vi nenhuma luz de Natal – nem era Natal aliás, e a fumaça era um sombreado distante – mas enchi o peito para suspirar: “Meu Deus, mas que cidade linda!”, com a mesma intensidade que João de Santo Cristo manifestou quando chegou em Brasília. Talvez, eu estivesse bem longe de Brasília e enfrentando uma frieza que fica só no ar – e jamais no corpo. Em Ouro Preto, dá pra fazer teatro e cinema. Dá para rabiscar amor no vidro suado da janela, e se perder nas luzes dos carros que passam depressa...

É que o céu me mostrou as coisas que estarão comigo seja para onde eu for. E não adianta tentar me desfazer, fugir, me esconder... Sou eu – “Então, o jeito é ser”, como diria Clarice. E não sou e nem ousarei ser mais forte que os astros. Alguém me disse que o universo está a favor de quem sonha. E há tantos sonhos que já realizei, que até me perco listando tantos outros (e criei essa mania chata de fazer listas para tudo: das coisas que devo me proibir, das coisas que gosto e devo manter por perto, dos afazeres, das compras, dos filmes). Até esqueço as histórias legais que teria para contar, mas eu lembrarei sempre é das sensações – essa coisa que gruda na pele e vai compondo o corpo ano a ano. Há quem chame de experiência, maturidade, ou apenas o ato de existir.

Lunara, André e o bolo surpresa no meio da reunião de finalização do roteiro do curta "de batom". Os maninhos que Belo Horizonte me deu. Os coleguinhas da pós: arte-e-mídia de formação; contadora de histórias e consultor de moda pela vida.

Ainda há muita porta a ser aberta, caminho a ser seguido e a vida será muito chata se for sempre a mesma. Até de livro de 500 páginas eu fujo – me sufoca. Querer ir embora nunca será pecado. Crime é não buscar e nem permitir o bailado dos encontros imprevistos... Porque o desencontro não será nenhuma novidade. O extraordinário é viver.

E se eu comemorei várias vezes durante o mês o meu aniversário, foi porque eu tinha o que comemorar (Há tantos presentes que a Beagá me deu). Foi Luana quem disse que agora terei a certeza do fim da adolescência – nada pode negar a vida adulta. O que é relativo enquanto eu disser que, na verdade, eu sou uma velha com o maior orgulho.

Também sei que há alguns poucos indivíduos - dos quais eu gosto e prezo muito - que ainda teimam em buscar algum indício de vida num antigo blog meio abandonado, meio assim sei lá. Eu até me engano, tentando me achar difícil, catando motivos para ficar miúda, num cantinho escuro, lá na última cadeira da última fila... Mas hoje resolvi esboçar esse depoimento meio do avesso, de versos soltos, divagações espontâneas e outras tentações, e sinalizar outro espaço, meio, processo...

Miudezas no canto da casa. Grandezas bem no centro do coração.

É que eu era – fui – do tipo que odiava aniversário. Afinal, eu já preparei aquela super festinha e recebi apenas metade da metade das pessoas que convidei. Desde então, todo aniversário passou a ser um so-fri-men-to. O trauma ficou e eu nada podia fazer diante disso. Porque eu nem tinha convidado as pessoas que apareceram no meu aniversário. Caiu uma chuva, a cidade parou e eu nem fazia yoga naquela época. O fato é que todo dia que é o nosso dia, a gente fica numa expectativa de receber atenção, carinho e alegria que muitas vezes não vem naquele formatinho enquadrado no retângulo que a gente reservou para isso. E é uma exigência mista de desespero... Mas foi exatamente naquele dia, que recebi um presente que só abri um dia desses. E aí, fico bem curiosa pelos outros presentes que devo ter ganhado, mas que ainda não me dei conta.

Tem hora que a vida parece mesmo um filme. Tem hora que a gente é diretor, roteirista ou apenas coadjuvante. Tem hora que a gente é platéia e nosso papel é achar graça, tomar susto ou chorar. E se eu não tenho a vida que pedi a Deus, é porque eu preciso aprender e saber o que eu realmente quero. Ou, também, a vida era por enquanto só um ensaio. (e ensaios são sempre tão divertidíssimos!).

E eu passei um tempão pensando sobre o que é mesmo a felicidade, se ela está numa banda de rock, numa crônica do jornal, na coleção de cartões postais, nos zines trancados na estante, no livro não publicado, no bolo surpresa encontrado por acaso na geladeira... Até decidir deixar ser. Porque a felicidade está nisso tudo sim e em muito mais. Se eu realizo quase um sonho por dia, é porque o que eu mais faço é sonhar. A gente costuma achar que a felicidade está em definir coisas indefiníveis, decifrar o indecifrável, valorizar o mais difícil, raro e complexo.

Pastel de Angú [em partes]: um dos mais deliciosos presentes das Gerais, oferecido pelo ODC. Rede, grupo, coletivo... Muitos nomes, formatos e motivos.

Porque vinte e quatro anos é quase vinte e cinco que é metade de cinqüenta que é metade de cem. Acho que nem chego lá. E, embora me assuste saber a vida está só começando, me encorajo para as próximas décadas sabendo que há uma luz que não se apaga: há um movimento que foge da minha direção, e o que eu posso decidir é: se caminho descalça ou desço ladeira abaixo nas rodas de um patins. Posso seguir pulando cordas - saltitante, acreditante, amante... Mas devo saber que nessa ida, em determinado momento, há leveza, n’outro, queda; numa parte me sinto flutuar; n’outra, sou obrigada a colocar os pés no chão. E será assim porque só assim dá pra ser. Meu corpo, meu céu, minha lua se desenham neste trajeto e eu não tenho porque buscar outra constelação, se a minha é perfeitinha e sabe muito bem que estrela cadente me enviar...

E a escolha mais importante que eu faço é sempre fazer tudo e qualquer coisa em prol da poesia. Não que assim facilite ser feliz. Mas é que dá sentido, leveza e impulso. É como cantar no chuveiro, contemplar a chuva na varanda, chutar uma pedra na calçada... Entre as tantas outras coisas mais simples que se pode imaginar, como ficar de bubuia no buteco...*

*Essa parte da história, aliás, eu explico depois...

2 comentários:

Marcos Afonso disse...

Minha querida amiga, minha poeta, minha jornalista cultural predileta...
Passo, deliciado, de bubuia, na frente do teu buteco, porque se entrar, eu danço. O texto já me embriagou de lembrança e saudades. E também de saudáveis invejas. Sim, porque existem lindas. Como a de não poder escrever como o que se está lendo...
Eu te sinto quarto de século e de bilha e de copo e de sala e cozinha... Muita e boa andança ainda virá no teu varadouro, pode acreditar!
E, como tu sabe e sempre digo, te desejo uma boa viagem nesta nova volta ao redor do Sol!
Te sinto firme!
Afinal, quem escreve assim, astá ficando em paz com o Universo: "Meu corpo, meu céu, minha lua se desenham neste trajeto e eu não tenho porque buscar outra constelação, se a minha é perfeitinha e sabe muito bem que estrela cadente me enviar..."
Mil beijos estelares, minha querida. Deste seu fã que se orgulha em tê-la como amiga!
Beijos!

Anônimo disse...

Ei Giselle
Uma cidade é pelo que tem, pelo que acolhe e pelo que faz circular.Esse é o melhor trânsito de uma cidade - suas trocas culturais. Gente também é feita de trocas, especialmente aquelas que entrelaçam raízes e antenas.Não foi isso que vc veio fazer aqui em Bêagá? Ser ainda mais acreana? De bubuia ou de bobeira, lá e cá, vida longa ao seu novo blog e outros quartéis de século em sua vida de encontros e descobertas. ZM